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Monitorização Remota de Epilepsia Pediátrica
  
Em Fevereiro de 2008, a Fundação Vodafone Portugal estabeleceu um protocolo de cooperação com o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO), para a implementação de um sistema de monitorização remota de epilepsia pediátrica no Hospital de Sº Francisco Xavier e no Hospital de Egas Moniz, que aumentou o número e a capacidade de sucesso das intervenções cirúrgicas em crianças com epilepsia.

Durante o período compreendido entre Março de 2008 e Março deste ano o número de doentes monitorizados passou de 36 para 59 (um aumento de 64%), sendo especialmente relevante o aumento de doentes propostos para cirurgia que passou de 3 para 25 (um aumento de 733%), traduzindo o sucesso deste projecto.

A taxa de ocupação da sala onde está instalado este sistema foi de 86%, sendo que, num período de 52 semanas foram monitorizados 59 doentes de diferentes pontos do país, incluindo as Regiões Autónomas.

Recorde-se que a epilepsia afecta cinco em cada mil habitantes, para muitos dos quais a medicação não é uma solução suficiente, sendo nesses casos por vezes necessário recorrer a intervenções cirúrgicas de remoção de determinadas áreas do cérebro, responsáveis pelas convulsões. Para tal, são efectuados exames prévios extremamente rigorosos de modo a detectar com precisão essas áreas susceptíveis de intervenção. Nesses exames é frequentemente necessário suspender o tratamento medicamentoso, no todo ou em parte, facilitando o aparecimento das crises. Por esta razão é preciso que a criança esteja internada em ambiente pediátrico com experiência no controlo das crises epilépticas e é necessária a análise rápida dos traçados para minimizar a duração do exame e do período de risco.

Com a introdução deste novo Sistema de Monitorização Remota de Epilepsia Pediátrica, graças ao recurso às comunicações móveis e à implementação de uma aplicação informática específica, os médicos passam a poder observar esses exames (vídeo-EEG ou vídeo electroencefalograma) num computador ou PDA, à distância e a qualquer momento, mesmo fora do ambiente hospitalar. Isto é, podem efectuar essa observação essencial em mobilidade, a partir de qualquer ponto do país ou do estrangeiro e interagindo com o sistema, graças à aplicação informática desenvolvida para o efeito. A rapidez deste novo processo de análise dos traçados e das crises, pelo médico electroencefalografista, permite uma tomada de decisão mais fundamentada e precoce, optimizando o tempo e as condições de diagnóstico e, portanto, a segurança da criança e o seu próprio conforto.

A plataforma informática permite seleccionar as imagens do traçado EEG e da crise epiléptica e enviá-las, por Internet, ao médico neurofisiologista que será previamente alertado por uma SMS ou chamada telefónica. Estas imagens serão então analisadas no PC ou PDA, possibilitando o diagnóstico com interrupção do exame ou a continuação da monitorização até uma definição completa da situação. Além de receber o traçado EEG em qualquer momento e em mobilidade, o sistema permite ao médico trabalhar o sinal recebido de modo a optimizar a observação.

Adicionalmente, este sistema não obriga à imobilização das crianças na cama hospitalar durante os períodos de internamento graças ao uso de comunicações sem fios. Até agora, esses exames eram geralmente realizados e transmitidos por um sistema de eléctrodos acoplados à cabeça dos doentes e ligados por um sistema fixo de cabos para transmissão do sinal EEG.

Parceiros: Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental