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Observatório das Empresas

Robótica

A pele artificial que permite aos robôs sentir

Nell Lewis e Jenny Marc

A pele artificial permite que os robôs “sintam” como os humanos.

Londres (CNN Business)  Os robôs estão um passo mais perto de ganhar um dos 5 sentidos do corpo humano que até agora lhes escapava: o tato.

No mês passado, os cientistas revelaram uma pele artificial que permite aos robôs sentir e responder ao contacto físico, uma capacidade que se torna mais importante, tendo em conta que os robôs estão cada vez mais próximos das pessoas.

Em 2017, os fabricantes, em todo o mundo, usaram cerca de 85 robôs industriais por cada 10 000 funcionários, de acordo com um relatório da International Federation of Robotics. O mesmo relatório prevê que o fornecimento global de robôs industriais cresça 14% por ano até 2021.

Mas se os robôs acabam por trabalhar mais perto dos seus colegas humanos, existe a preocupação de saber como irão interagir em segurança.

"Atualmente, os robôs não têm o sentido do tato", afirmou à CNN Business o professor Gordon Cheng, que desenvolveu a pele especial com a sua equipa na Universidade Técnica de Munique.

Professor Gordon Cheng

Professor Gordon Cheng com o robô H-1, coberto em 13 000 sensores que permitem sensação tátil.

A força exercida por um robô pode causar ferimentos graves aos seres humanos, de modo que os empregadores precisam de garantir que os robôs se conseguem movimentar convenientemente no espaço em que se encontram e perto das pessoas.

"O tato possibilita o funcionamento seguro do robô, detetando o contacto com obstáculos imprevisíveis e possibilitando a aplicação da força correta para realizar uma tarefa, sem danificar objetos, pessoas ou a si próprios", Chiara Bartolozzi, especialista em robótica do Instituto Italiano de Tecnologia, independente da pesquisa, afirma à CNN Business.

Essa pele especial poderá tornar a colaboração entre os robôs e os humanos mais segura, bem como permitir que os robôs possam ser cuidadores, profissionais de saúde e colegas de trabalho.

 

Imitando a pele humana

Para desenvolver a pele sintética, os investigadores começaram por estudar seres humanos.

Cada pessoa tem cerca de 5 milhões de recetores na pele que registam o que está a acontecer na superfície do corpo e enviam sinais para o cérebro. Mas o cérebro não consegue processar todas essas informações ao mesmo tempo. Em vez disso, o sistema nervoso dá prioridade às sensações novas.

Imitando isso, a equipa cobriu um robô autónomo de tamanho humano (conhecido como H-1) com mais de 13 000 sensores do ombro aos pés, capazes de detetar temperatura, aceleração, proximidade e pressão.

"Esses [fatores] são fundamentais para alertar os sentidos do corpo humano e tornam as interações entre humanos muito seguras", afirma Cheng.

Atualmente, a equipa está a trabalhar na criação de células sensoriais pequenas que possam ser produzidas em grande escala.

Alguns cientistas são céticos em relação à sua escalabilidade. O elevado custo de cada sensor e a sua fragilidade é uma enorme barreira para a produção em grandes quantidades, afirmou Etienne Burdet, professora de robótica humana no Imperial College de Londres, à CNN Business.

Robô a responder ao contacto físico de um homem

Com uma sensação de toque, os robôs seriam capazes de responder ao contacto físico e poderiam trabalhar mais de perto com os seres humanos.

Há já alguns anos que os cientistas têm vindo a trabalhar arduamente no desenvolvimento de uma tecnologia que permita o sentido do tato - tanto para robôs como para humanos. Na semana passada, uma equipa da Northwestern University apresentou uma pele inteligente, sem fios e sem baterias, que pode adicionar o tato a experiências virtuais, como uma chamada pelo Skype.

Cheng já superou o desafio que impediu as tentativas anteriores de criar um sentido de tato robótico. A maioria dessas tentativas contava com um vasto poder computacional para processar sinais de todas as células artificiais da pele, enquanto que a sua criação só envia sinais quando são ativadas células individuais.

Isto significa que o sistema não está sobrecarregado com dados e, dessa forma, age exatamente como o sistema nervoso humano. Por exemplo, sentimos as luvas quando as colocamos pela primeira vez, mas eventualmente o nosso corpo aprende a ignorá-las.

Futuros colegas ou cuidadores

Essas caraterísticas podem permitir que os robôs percebam os ambientes que os rodeiam com uma maior sensibilidade e irá também permitir-lhes interagir com humanos, antecipando e evitando acidentes.

"Tecnologias como esta podem abrir novas oportunidades nas quais os robôs podem trabalhar de uma forma mais estreita com os seres humanos, como em profissões de prestação de cuidados de saúde", afirmou Bob Doyle, vice-presidente da Associação das Indústrias Robóticas, à CNN Business.

"Poderão ajudar alguém a sair da cama ou mesmo em casa," acrescenta.

No entanto, Doyle reconhece que essas tecnologias ainda estão muito longe da aplicação real e de poder garantir que a segurança dos seres humanos está em primeiro plano.

 

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