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Observatório das Empresas

Blockchain

Poderá a Blockchain ajudá-lo a comprar de uma forma mais ética?

Nell Lewis, CNN Business

Londres (CNN Business) - Alguma vez pensou de onde vem a sua comida? Ou se o seu café foi colhido por alguém que recebeu um salário justo?

Estas são perguntas que a blockchain pode ajudar a responder.

Os consumidores estão cada vez mais interessados em saber de onde vem a sua comida e como é embalada. Muitas pessoas estão inclusivamente a mudar os seus hábitos de compra com base nessa informação.

A Blockchain pode ajudar a rastrear a produção de bens básicos de consumo em cadeias de abastecimento complexas, fornecendo aos consumidores os dados que precisam para fazerem escolhas esclarecidas.

O registo público online cria um arquivo permanente e imutável das transações. Cada transação é marcada com o horário e vinculada para que não possa ser alterada posteriormente.

Criar uma cadeia de abastecimento justa

Um atum albacora é marcado com um código QR a bordo do navio de pesca em Fiji.

A rastreabilidade oferecida pela blockchain é inestimável ao tentar desvendar cadeias de abastecimento associadas a práticas ilegais e abusivas dos direitos humanos.

Por exemplo, a pesca. A pesca ilegal é responsável por 31% da captura a nível mundial, de acordo com a Environmental Justice Foundation.

A World Wildlife Fund está a tentar resolver o problema com um projeto de rastreabilidade blockchain focado no atum no Pacífico. Em janeiro, o grupo lançou uma plataforma de rastreamento chamada OpenSc.

É colocada uma etiqueta eletrónica em cada peixe quando chega a bordo da embarcação, sendo automaticamente registada na doca e nas instalações de processamento. À medida que o peixe é preparado para venda e embalado, recebe um código QR específico.

O consumidor pode então digitalizar o código para ver onde o peixe foi apanhado, produzido, processado e como foi transportado para a loja.

A World Wildlife Fund usa os dados para se concentrar nos abusos dos direitos humanos na indústria, como o trabalho forçado e a escravatura moderna. Consegue obter informação sobre os funcionários da cadeia de abastecimento e as suas condições de trabalho.

"Não é uma bala mágica", afirma Dermot O'Gorman, CEO da World Wildlife Fund da Austrália, "mas é uma ferramenta que ajuda a acabar com o comércio de escravos". O'Gorman afirma que a World Wildlife Fund espera alargar essas práticas a outros bens, como o papel, a carne de vaca, o óleo de palma e os laticínios.

"A menos que consigamos resolver, por exemplo, os aspetos ilegais da pesca ou os abusos dos direitos humanos na indústria do óleo de palma, não conseguiremos alcançar um planeta sustentável", afirmou.

Simplificar a cadeia de abastecimento

As cadeias de abastecimento complexas podem ser difíceis de digitalizar. O desafio é convencer os pescadores ou agricultores a aplicarem a tecnologia na fonte.

O'Gorman afirma que oferecer um incentivo financeiro ajuda. Diz também que muitos produtores pequenos estão interessados no OpenSC porque ajuda a otimizar as operações e a reduzir custos, eliminando estrangulamentos e permitindo previsões mais precisas da oferta e procura.

Ramesh Gopinath, um dos líderes da IBM Food Trust, uma rede global de fornecedores e retalhistas, incluindo o Walmart e o Carrefour, afirma que a blockchain também pode ter um enorme impacto na eficiência.

"Se, ao longo da cadeia de abastecimento, houver partilha de informação, isso terá benefícios significativos em termos de melhoria de frescura para o consumidor final e redução do desperdício em geral", afirmou.

O acesso aos dados permite aos fornecedores prever as condições de mercado com mais precisão e localizar o fornecimento de ingredientes - em última análise, encurtando a cadeia de abastecimento, explica Gopinath.

A adoção de ferramentas digitais da cadeia de abastecimento pode reduzir a perda de alimentos e o desperdício em até 120 mil milhões US$ por ano, de acordo com um relatório de 2018, pelo Boston Consulting Group.

O Walmart introduziu a tecnologia blockchain para fins de segurança alimentar.

Cadeias de abastecimento de confiança

O azeite Bellucci orgulha-se de ser capaz de comprovar a sua origem aos consumidores, através de blockchain.

A rastreabilidade também significa responsabilidade, porque a blockchain pode dar uma garantia contra a violação da origem de um produto.

Isto é crucial para produtos em que a fraude alimentar é comum, como o azeite, que a Comissão Europeia assinalou como um alvo importante para a atividade fraudulenta.

"Pode ter um nome italiano, mas não necessariamente ter azeite italiano na garrafa", afirma Susan Testa, diretora de inovação culinária do produtor de azeite Bellucci.

Para provar a sua proveniência, tanto para os consumidores como para os retalhistas, a Bellucci está a implementar a tecnologia blockchain desenvolvida pela Oracle em toda a sua cadeia de abastecimento.

"Querem saber o quão próximo o produto está da fonte", afirma Testa. "Dessa forma, sentem-se bem com a marca e com o que estão a comprar."

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