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Observatório das Empresas

Realidade Virtual

A Realidade Virtual está a ajudar cientistas na descoberta de novos medicamentos

Eduard Kiernan e Nell Lewis, CNN Business

Londres (CNN Business) A mesma tecnologia que revoluciona os videojogos está a ser usada para desenvolver novos medicamentos e combater algumas das doenças mais mortais do mundo.

Químicos da C4X Discovery estão a usar a tecnologia de realidade virtual por trás do popular jogo Fortnite para visualizar a estrutura de moléculas complexas. A ferramenta, denominada 4Sight, já foi usada para criar um medicamento que trata a dependência.

Os bioquímicos também estão a usar a tecnologia para desenvolver medicamentos para combater outras doenças, como o cancro e a doença de Parkinson.

Visualização de moléculas

Os cientistas serão capazes de alcançar e tocar nas moléculas virtualmente.

Os cientistas tradicionalmente usavam modelos físicos para visualizarem medicamentos. Mas o 4Sight permite aos investigadores agarrarem em moléculas virtuais e ver como se movem e respondem a estímulos.

A chave para desenvolver medicamentos é encontrar a forma certa para que a molécula encaixe dentro da bolsa da proteína alvo. Se obtiver a forma errada, a molécula pode não conseguir encaixar-se ou mesmo alojar-se numa bolsa diferente, causando efeitos secundários.

“Movimentar moléculas muito complexas, é muito mais fácil se puder pegar nelas em vez de tentar usar um rato num teclado”, afirma Craig Fox, diretor científico da C4X Discovery.

A empresa alega que a tecnologia poderia ajudar a reduzir a margem de erro durante o processo de descoberta de medicamentos e permitir que cientistas em diferentes locais trabalhem com modelos de medicamentos na mesma sala virtual.

“Demora cerca de 10 a 12 anos para desenvolver um medicamento desde o conceito até à colocação no mercado”, afirma Fox. “É frequentemente descrito como tentar encontrar uma agulha num palheiro.”

Também é extremamente caro. Custa 2,6 mil milhões US$, em média, o desenvolvimento de um novo medicamento que obtenha aprovação para comercialização, de acordo com o Tufts Center for Study of Drug Development.

Ludificação

O 4Sight é mais sofisticado do que o típico modelo de “bola e bastão”.

Tudo o que ajude a acelerar o processo de desenvolvimento e a torná-lo menos trabalhoso para os cientistas é bem-vindo. É por isso que a C4X Discovery contratou o antigo desenvolvedor de videojogos Phil Muwunga para a posição de codificador principal.

“O software é o mesmo que num jogo”, afirma Muwunga, “nós temos uma base de utilizadores, estamos a tentar que repitam tarefas constantemente. E estamos a tentar fazer isso de maneira divertida e intuitiva”. 

O 4Sight permite que os cientistas visualizem dados únicos, em 4-D, (medindo o espaço e o tempo, bem como comprimento, largura e profundidade) que o C4X Discovery acumulou sobre pequenas moléculas de medicamentos.

“Estamos a elaborar uma ferramenta científica que os cientistas usarão para melhorar as suas vidas diárias”, afirma Muwunga. “Dito isto, sou da indústria dos jogos e trato isto como um jogo - as pessoas interagem da mesma maneira."

Outras aplicações

Esta ferramenta de VR podia ser utilizada por cientistas em diferentes locais, ao mesmo tempo.

A realidade virtual tem mostrado o seu potencial noutras áreas da saúde.

Tem sido usada como uma ferramenta para formação médica, com os estudantes a aprenderem sobre a anatomia humana através de simulação. Os cirurgiões podem usá-la para prepararem cirurgias complicadas, e tem sido inclusivamente usada como ferramenta para o alívio da dor.

O mercado global de realidade artificial e virtual, na área da saúde, deve atingir 5,1 mil milhões US$ até 2025, de acordo com um relatório de 2017 da Grand View Research.

As maiores empresas farmacêuticas reconhecem o potencial das ferramentas de realidade virtual. A Novartis está a usá-la no processo de conceção de medicamentos, e a Pfizer experimentou com aplicações que vão desde a conceção de testes clínicos até à fabricação.

“Acreditamos que as tecnologias imersivas podem, no futuro, fornecer assistência comportamental cognitiva e até mesmo telessaúde”, afirma Jim Mangione, diretor de tecnologias emergentes da Pfizer.

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