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Observatório das Empresas

Realidade Virtual

De que forma a realidade virtual pode combater o racismo no local de trabalho

Katy Scott, CNN Business

Grupo de pessoas sentadas com óculos de realidade virtual

Os colaboradores são ensinados a lidar com o preconceito inconsciente através de uma experiência de realidade virtual de 360 graus.

Londres (CNN Business)  Se estivesse a trabalhar e um dos seus colegas fizesse um comentário racista, confrontava-o ou não fazia nada?

Este cenário é um dos muitos que a empresa americana Vantage Point oferece no seu programa de formação para combater a discriminação racial no local de trabalho.

Fundada em Los Angeles em 2017, a empresa oferece formação na área de diversidade, inclusão e preconceitos inconscientes. Utilizando óculos de realidade virtual (RV), os colaboradores são colocados em cenários baseados em eventos reais, onde assistem a uma cena de discriminação e são questionados sobre como responderiam.

Morgan Mercer, a fundadora da empresa, é uma mulher birracial que foi vitima de atitudes racista e sexismo no local de trabalho. Ela pretende que as pessoas que nunca passaram por este tipo de experiências compreendam como se sente, e acredita que a tecnologia de RV  tem um contributo inestimável para fazer passar a mensagem.

"Apercebi-me da sua eficácia em conseguir colocar uma pessoa na pele de outra", afirma à CNN Business. "Consegue proporcionar-lhe uma experiência na primeira pessoa sobre como é ter alguém que recua cada vez que passa por ela, ou como é ter alguém que lhe grita na rua, ou como é para alguém sentir o seu espaço pessoal invadido".

Mulher a segurar com as mãos uns óculos de realidade virtual

Morgan Mercer fundou a Vantage Point em 2017.

Em média, quase um terço dos adultos inquiridos nos Estados Unidos da América, Reino Unido, França e Alemanha experimentaram ou testemunharam racismo no local de trabalho, de acordo com a pesquisa da página de internet de emprego e recrutamento Glassdoor. Este tipo de ambiente pode tornar mais difícil a retenção de colaboradores de minorias étnicas.

Além disso, a diversidade tem uma influência positiva nos resultados. De acordo com um relatório McKinsey de 2020, as empresas com uma força de trabalho mais diversificada são suscetíveis de alcançar maior sucesso. Ao analisar 1000 empresas em 15 países, constatou que as empresas do quartil superior em diversidade étnica eram 36% mais rentáveis do que as do quartil inferior. As empresas com mais de 30% de mulheres nos quadros executivos tendiam a ter um desempenho superior às que tinham menos.

Na pele de outra pessoa

Inicialmente, a Vantage Point concentrou-se na prestação de formação antiassédio sexual para empresas, mas agora cobre qualquer tipo de preconceito, desde a desigualdade de género ao assédio com base na orientação sexual ou raça. Este verão, lançou um curso que abrange o racismo sistémico e as questões levantadas pelo movimento "Black Lives Matter".

A startup conseguiu angariar um financiamento de quase 4 milhões USD, e trabalhou com empresas nos Estados Unidos da América, Reino Unido, Irlanda e França. Os clientes incluem o gigante americano das telecomunicações Comcast, a sociedade internacional de advogados Latham and Watkins, e a empresa de análise de dados Looker, que foi adquirida pela Google em fevereiro por 2,6 mil milhões USD.

Cornell Verdeja-Woodson, agora parceiro comercial de diversidade para a Google Cloud, foi o chefe global de diversidade, equidade e inclusão da Looker em 2019, quando a empresa inscreveu cerca de 200 empregados a nível mundial na formação da Vantage Point.

"Tal como a maioria das organizações, estávamos a concentrar-nos em como diversificar a nossa força de trabalho", afirmou à CNN Business.

Verdeja-Woodson queria ir além dos métodos tradicionais de formação para educar os colaboradores relativamente ao preconceito inconsciente no processo de recrutamento. "Podemos sentar-nos durante a formação e assistir a apresentações e falar sobre isso, mas as pessoas querem ver", afirma. "Só quando passam pela experiência é que dizem: Uau, isto agora faz mais sentido para mim”.

Embora admita que é difícil quantificar o impacto direto da formação, Verdeja-Woodson afirma que o feedback dos colaboradores foi esmagadoramente positivo. Houve uma maior consciencialização em torno do tema do preconceito inconsciente e um aumento da confiança na resolução do problema.

Mercer diz que as empresas medem o sucesso de formas diferentes, incluindo a procura de melhorias na retenção de pessoal.

"É extremamente importante trazer perspetivas diversificadas para a discussão, porque é aí que verdadeiramente irá ocorrer a mistura", afirma. "As perspetivas e ideias entusiastas que irão verdadeiramente impulsionar a aprendizagem, a educação, a inovação e a inspiração de que as empresas tanto se esforçam por fomentar internamente".

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