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Observatório das Empresas

Mobilidade Reduzida

A tecnologia como impulsionador da mobilidade de cidadãos com deficiência

Ed Scott-Clarke e Nell Lewis, CNN Business

Londres (CNN Business) - A circulação nas cidades nem sempre é fácil, e para pessoas com deficiência pode ser simultaneamente uma pista de obstáculos e um labirinto.

Um inquérito nacional de viagens no Reino Unido constatou que os adultos com dificuldades de mobilidade fizeram menos 39% de viagens que pessoas sem deficiência em 2017. No entanto, isso pode mudar à medida que os dispositivos e as cidades se tornam mais inteligentes.

A tecnologia de assistência está a desempenhar um papel muito importante nesta transformação. O valor global da indústria deve aumentar de 14 mil milhões US$ em 2015 para 30,8 mil milhões US$ em 2024, de acordo com a Zion Market Research e a Coherent Market Insights.

Aqui estão três soluções de alta tecnologia que tornam as cidades mais acessíveis para pessoas com deficiência.

Uma cadeira de rodas que pode subir escadas

A cadeira de rodas Scewo tem faixas de borracha que podem subir escadas.

Jose Di Felice, da Suíça, ficou paralisado nas duas pernas e num braço após um acidente de moto a alta velocidade há três anos.

Enquanto se ajustava à vida numa cadeira de rodas, percebeu que as escadas eram o seu maior obstáculo. Recorreu ao YouTube para procurar alternativas e descobriu a Scewo. Esta startup construiu uma cadeira de rodas que pode ser controlada através de um smartphone. Pode enfrentar uma variedade de terrenos e tem faixas de borracha especiais para subir escadas.

Di Felice solicitou um teste e pouco depois subia os degraus da câmara municipal local numa cadeira de rodas. "Foi realmente emocionante subir essas escadas, olhar para baixo e dizer que é possível", afirmou.

A cadeira de rodas deverá ser distribuída aos utilizadores até ao final de 2019, e Di Felice será um dos primeiros a receber o produto.

"Não podemos esperar pela construção de todas essas rampas", afirmou Bernhard Winter, CEO e fundador da Scewo, relativamente à mobilidade urbana. "É por isso que desenvolvemos este produto, para devolver a mobilidade e a liberdade.”

Um fato exomuscular robótico

A tecnologia para vestir também se está a tornar mais sofisticada. A Startup MyoSwiss, baseada em Zurique, desenvolveu um fato exomuscular com uma combinação de robótica e têxteis.

O traje robótico pesa menos de 5 quilos e adiciona uma camada de músculo que suporta movimentos e proporciona estabilidade a pessoas com mobilidade reduzida. Usa sensores no joelho e na anca para detetar movimentos que o utilizador deseja fazer e auxilia-o.

"Ajuda as pessoas que precisam de força extra ou assistência extra no seu dia a dia", afirma Jamie Duarte, CEO da MyoSwiss. "[É] para pessoas que ainda conseguem caminhar até determinado ponto, mas que talvez tenham dificuldade em levantar-se de uma cadeira ou em subir escadas.”

Este ano, o MyoSuit permitiu que duas pessoas com mobilidade reduzida participassem numa etapa de estafetas na maratona de Zurique.

Michael, que sofre de uma doença muscular degenerativa, completou uma maratona de sete quilómetros em Zurique.

Bengala inteligente

Kursat Ceylan (à direita) utiliza a bengala inteligente WeWalk no seu caminho para o trabalho.

Outra tecnologia que pode transformar a vida das pessoas é uma bengala inteligente concebida por engenheiros da Young Guru Academy (YGA) na Turquia.

A bengala WeWalk possui um sensor ultrassónico que deteta obstáculos acima do nível do peito e usa a vibração para alertar o utilizador. Pode ser emparelhada com um smartphone para ajudar na navegação e está integrada com um assistente de voz e o Google Maps.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 39 milhões de pessoas no mundo são cegas e mais de 250 milhões sofrem de baixa visão.

"Hoje em dia falamos de carros voadores", afirma Kursat Ceylan, CEO e fundador da WeWalk, "mas essas pessoas têm usado apenas uma simples bengala".

Ceylan, que é cego desde a nascença, afirma que conectar a bengala à Internet of Things (IoT) e às soluções de cidades inteligentes torna o seu uso fácil.

"Enquanto pessoa cega, quando estou na estação de metro não sei qual é a minha saída, não sei qual é o autocarro que se aproxima [ou] que lojas estão ao meu redor. Esse tipo de informação pode ser fornecida com a WeWalk ", afirmou.

Mas serão essas soluções de alta tecnologia acessíveis?

"Estas são iniciativas realmente empolgantes que farão uma enorme diferença para algumas pessoas", afirma Anna Lawson, diretora do Centro de Estudos sobre Deficiência da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

"Mas são muito caras e não estarão disponíveis para a grande maioria das pessoas com deficiência", acrescentou.

Bryan Matthews, professor do Instituto para o Estudo do Transporte da Universidade de Leeds, partilha as preocupações relativas ao custo. Afirma que também deve haver um foco no design inclusivo.

Mas tudo o que ajuda as pessoas a circularem com maior facilidade no seu ambiente é positivo.

"Ao dar mais visibilidade e importância às pessoas com deficiência, promove-se um maior potencial para a compreensão e empatia", afirmou Matthews.

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