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Gestão de Recursos

Tecnologia Inteligente

Como as redes e sondas inteligentes poderiam manter mais peixe no mar

Por Giovanni Prati, CNN Business

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Trondheim, Noruega (CNN Business)  A pesca comercial está a ter efeitos devastadores na vida dos nossos oceanos. Os arrastões estão a capturar peixe mais rapidamente do que o restabelecimento das respetivas populações, ao mesmo tempo que os golfinhos e as tartarugas são também apanhados nas suas enormes redes. 

Mais de um terço das populações mundiais de peixes foram classificadas como sofrendo de excesso de pesca em 2017, e embora o problema seja mais grave nos países em desenvolvimento, a União Europeia espera que o investimento em tecnologia possa ajudar a resolver o problema nas suas águas. Está a financiar um projeto denominado SmartFish H2020, liderado pela empresa norueguesa SINTEF Ocean, que faz parcerias com empresas de pesca, fornecedores de tecnologia e universidades para criar soluções que reduzam o impacto da indústria na vida marinha.

Uma das inovações é o teste de um novo tipo de rede de arrasto denominado SmartGear que emite sons e utiliza luzes LED de diferentes cores e intensidades para atrair apenas espécies-alvo para a rede, encorajando outros peixes a afastarem-se.

"Queremos facilitar a vida aos pescadores", diz Rachel Tiller, cientista investigadora sénior da SINTEF Ocean, à CNN Business. "O problema é que não temos dados. Não sabemos qual a quantidade de peixe que existe no oceano e precisamos de encontrar esta informação".

A SINTEF está a tentar preencher esta lacuna utilizando lasers para digitalizar o peixe que está a ser capturado por um navio. Outra tecnologia a ser testada é o CatchScanner. Produz uma imagem colorida 3D do peixe, que é analisada usando IA para estimar o peso e identificar a espécie.

O CatchScanner também poderia ajudar a combater o não cumprimento das regras. Alguns navios de pesca capturam mais peixe do que as quotas da UE permitem, assim, como não cumprem os tamanhos e espécies estabelecidos. O CatchScanner poderia evitar isto, recolhendo automaticamente informações sobre capturas numa base de dados e disponibilizando-as a autoridades como as agências da guarda costeira nacional.

CatchScanner a ser demonstrado no laboratório

CatchScanner a ser demonstrado no laboratório

Na Europa, a indústria pesqueira emprega cerca de 75 000 pessoas. Com o aumento da procura de marisco e a crescente pressão sobre a vida marinha, o Fundo Europeu dos assuntos Marítimos e das Pescas 2014-2020 reservou €6,4 mil milhões ($7,6 mil milhões USD) para projetos como o SmartFish, com o objetivo de modernizar a pesca, monitorizar quotas, recolher dados em torno de espécies comerciais e criar empregos sustentáveis.

"A nossa ideia é digitalizar todos os processos ao longo da cadeia de abastecimento", afirma Vivian Loonela, porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Marítimos e Pescas. Diz ainda que desenvolvimentos como o SmartFish poderiam ajudar. "Precisamos de tecnologias inteligentes e estamos a explorar o potencial da IA e de Machine Learning".

A União Europeia não pode obrigar os estados membros a adotar as inovações SmartFish, pelo que o seu sucesso dependerá da procura do mercado. No entanto, Tiller diz que muitas empresas pesqueiras em toda a Europa têm demonstrado interesse. "Algumas destas tecnologias podem ser muito dispendiosas para colocar a bordo de navios de pesca", afirma. "Portanto, para que os pescadores as queiram ter a bordo, precisam de perceber o benefício".

O pescador Aitor Larrañaga vai testar, em breve, a rede de arrasto SmartGear ao largo da costa espanhola, com a sua empresa Larrasmendi Bi.

Está entusiasmado com a tecnologia inteligente e acredita que a indústria pesqueira precisa de inovar para se tornar mais sustentável. "O mundo avança", afirma. "Não podemos trabalhar como há 200 anos atrás".

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