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Gestão de Recursos

Plataforma de Recrutamento

A África do Sul tem a maior taxa de desemprego jovem do mundo. Esta plataforma de recrutamento quer mudar isso.

Katy Scott

Dois homens lado a lado.

Paris (CNN Business) Considero-me realmente abençoada por ter um emprego neste momento diz Akhona Zondani.

Após meses a ser ignorada pelos recrutadores no seu país de origem, a licenciada em economia começou a utilizar a plataforma de recrutamento Giraffe. Depois da falta de acompanhamento da parte de outros recrutadores em experiências anteriores, Zondani afirma que, obter orientação a cada passo do caminho foi como "uma lufada de ar fresco" e acabou por conseguir um emprego numa companhia de seguros.

Zondani sabe que é uma das sortudas face ao contexto económico atual. A África do Sul já se encontrava em recessão e lutava com um desemprego recorde antes da pandemia. Em 2019, tinha a maior taxa de desemprego jovem do mundo, com 56%, e a Covid-19 levou a uma ainda maior perda de emprego.

Mas a Giraffe acredita que pode ajudar os que estão a ser mais duramente atingidos: os trabalhadores não qualificados e menos instruídos. Fundada em 2015 por Anish Shivdasani e Shafin Anwarsha, a Giraffe automatizou o processo de recrutamento, desde a procura de candidatos até à sua seleção.

Os interessados que normalmente se candidatariam pessoalmente ou através de papel, podem agora carregar o seu currículo na plataforma online e um algoritmo fará corresponder o seu currículo a vagas relevantes para si.

Giraffe foi construída para dispositivos móveis, que é a forma como a maioria dos sul-africanos acede à internet, explica Shivdasani. A utilização de smartphones no país duplicou entre 2016 e 2019 para 91%. Dos que têm acesso à Internet, cerca de 60% utilizam um equipamento móvel.

Enquanto outros portais de emprego e agências de recrutamento têm como alvo candidatos a emprego altamente qualificados, Shivdasani diz que o foco da Giraffe é a entrada em empregos de nível médio.

Nós dirigimo-nos ao maior segmento do mercado", diz Shivdasani à CNN Business. "Definimo-lo com salários entre 3 000 e 25 000 rands (177 a 1 470 USD) por mês".

Esta faixa de rendimentos representa cerca de dois terços do total da mão-de-obra sul-africana, acrescenta.

Shivdasani e Anwarsha conheceram-se enquanto trabalhavam como consultores estratégicos na indústria das telecomunicações. Shivdasani diz que sempre teve o sonho de construir uma plataforma para resolver problemas sociais na África do Sul. Ao pensar por onde começar, ele percebeu que o desemprego estava no cerne de muitos problemas. "Sentimos que o desemprego é provavelmente o maior problema da África do Sul", afirma.

Homem e mulher sentados lado a lado a olhar para computador.

À esquerda, Shafin Anwarsha, cofundador da Giraffe.

 Giraffe é completamente gratuita para os candidatos a emprego, explica Shivdasani, e cobra às empresas para anunciarem empregos na sua plataforma.

Já trabalhou com cerca de 3 000 empresas e tem atualmente um milhão de pessoas registadas na sua plataforma que estão à procura de emprego. Shivdasani estima que a Giraffe atinja aproximadamente 10 milhões de pessoas através de parcerias com o Facebook (FB) e a Google (GOOG).

A Giraffe desenvolveu uma função de voz que permite às empresas ouvir os candidatos a responderem a perguntas antes de os convidar para uma entrevista. "É uma combinação de correspondência, triagem e clipes de voz, que nos distingue de outras plataformas", diz Shivdasani.

Este ano a empresa recebeu uma bolsa da UNICEF, que irá usar para construir um portal de conteúdos para disponibilizar conselhos de carreira aos candidatos a emprego. A Giraffe recusou-se a divulgar o montante de financiamento que recebeu.

Os desafios estruturais da África do Sul

À medida que a África do Sul volta à normalidade após um dos confinamentos mais restritos do mundo, o desemprego está a agravar-se e a desigualdade a aumentar. Um relatório recente do UNDP estima que serão necessários pelo menos cinco anos para recuperar os níveis de crescimento económico e de emprego pré-coronavírus.

Vimal Ranchhod, professor de economia na Universidade da Cidade do Cabo, diz que o desenvolvimento de competências com a ajuda de plataformas como a Giraffe é uma forma de ajudar os jovens.

Contudo, ele adverte que será difícil enfrentar desafios estruturais no mercado de trabalho ou na educação, muitos dos quais estão ligados ao passado de apartheid do país. "Dada a dimensão e a natureza do problema, é necessária uma intervenção em larga escala e a longo prazo do governo", afirma. "Isto não significa que grupos individuais não devam ajudar se e quando puderem, porque cada bocadinho conta".

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cnn-business