Skip to content

Tecnologia

Tecnologia Inteligente

Um robô que mata ervas daninhas com eletricidade

Por Stephanie Bailey, CNN Business

Dois robôs numa plantação

"Tom (à esquerda) e Dick (à direita) são robôs que trabalham em conjunto para eliminar ervas daninhas, sem recurso a químicos ou pesticidas."

Londres (CNN Business)  Num campo em Inglaterra, três robôs receberam uma missão: encontrar e eletrocutar ervas daninhas antes da plantação de sementes em solo limpo.

Os robôs - chamados Tom, Dick e Harry - foram desenvolvidos pela Small Robot Company para eliminar as ervas daninhas indesejadas do terreno, com uma utilização mínima de produtos químicos e maquinaria pesada.

A startup tem estado a trabalhar nas suas máquinas autónomas de matar ervas daninhas, desde 2017, e em abril lançou Tom, o seu primeiro robô comercial que está agora a ser usado em três quintas do Reino Unido. Os outros dois robôs encontram-se na fase de protótipo e ainda em testes.

A Small Robot diz que o robô Tom pode digitalizar 20 hectares (49 acres) por dia, recolhendo dados que são depois utilizados por Dick, um robô "cuidador de culturas", para eletrocutar ervas daninhas. Depois é a vez do robô Harry plantar sementes no solo livre de ervas daninhas.

Utilizando o sistema completo, uma vez em funcionamento, os agricultores poderiam reduzir os custos em 40% e a utilização de produtos químicos até 95%, afirma a empresa.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura seis milhões de toneladas métricas de pesticidas foram comercializadas a nível mundial em 2018, avaliadas em 38 mil milhões USD.

“O nosso sistema permite aos agricultores desmamarem os seus solos esgotados e danificados, que recorrem a uma dieta de produtos químicos", afirma Ben Scott-Robinson, co-fundador e CEO da Small Robot.

Eletrocutar ervas daninhas

A Small Robot diz ter angariado mais de £7 milhões (9,9 milhões USD). Scott-Robinson afirma que a empresa espera lançar o seu sistema completo de robôs até 2023, que será oferecido como serviço a uma taxa de cerca de £400 (568 USD) por hectare. O robô de monitorização é colocado primeiro numa quinta e os robôs de monda e plantação só são entregues quando os dados mostrarem que são necessários.

Para desenvolver a tecnologia de eletrocussão, a Small Robot fez uma parceria com outra startup com sede no Reino Unido, a RootWave.

“Cria uma corrente que atravessa as raízes da planta através do solo e depois volta para cima, o que destrói completamente a erva daninha", afirma Scott-Robinson. 

“Podemos ir a cada uma das ervas que esteja a ameaçar as plantas cultivadas e retirá-la".

“Não é tão rápido como seria se saíssemos para pulverizar todo o campo", afirma. “Mas é preciso ter em conta que só temos de ir às partes do campo onde estão as ervas daninhas". As plantas que são neutras ou benéficas para as culturas são deixadas intactas.

A Small Robot chama a isto "cultivo por planta" - um tipo de agricultura precisa onde cada planta é contabilizada e monitorizada.

Dois robôs a eletrocutar ervas daninhas

"O robô eletrocuta as ervas daninhas com um choque elétrico."

Um caso de negócio

Para Kit Franklin, um professor de engenharia agrícola da Universidade Harper Adams, a eficiência continua a ser um obstáculo.

“Não tenho dúvidas que o sistema elétrico funciona", afirma à CNN Business. “Mas conseguimos cobrir centenas de hectares por dia com um pulverizador de grande escala ... Se quisermos entrar neste sistema precisamos mesmo de eliminar as ervas daninhas, temos de perceber que existe uma redução na produção que é muito difícil de ultrapassar".

Mas Franklin acredita que os agricultores irão adotar a tecnologia se conseguirem ver um caso de negócio.

“Há uma constatação de que a agricultura amiga do ambiente é também uma forma de agricultura eficiente", afirma. “Usar menos elementos, apenas onde e quando precisarmos deles, vai poupar-nos dinheiro e será bom para o ambiente e para a perceção dos agricultores".

Para além de reduzir a utilização de produtos químicos, a Small Robot quer melhorar a qualidade do solo e a biodiversidade.

“Se tratarmos um ambiente vivo como um processo industrial, estamos a ignorar a complexidade do mesmo", afirma Scott-Robinson. “Temos de mudar a agricultura agora, caso contrário não haverá nada para cultivar".

Em associação com

cnn-business