Skip to content

Tecnologia

Tecnologia Inteligente

Como a tecnologia inteligente pode ajudar a salvar as abelhas melíferas do mundo

Adrian Lydon

Apicultura

Cork, Irlanda  (CNN Business)  As populações globais de abelhas melíferas estão em declínio, colocando o abastecimento mundial de alimentos sob pressão. Mas as novas tecnologias poderão ajudar os apicultores a combater esta ameaça.

Podemos pensar nos apicultores como meros produtores de mel, mas eles fazem parte de um comércio em crescimento, em que alugam as colmeias aos agricultores que precisam de abelhas para polinizar as suas culturas.

A indústria apícola comercial fornece serviços de polinização no valor de dezenas de biliões de dólares e é fundamental para a produção de uma enorme variedade de culturas, incluindo amêndoas, brócolos e maçãs. A Califórnia, por exemplo, produz 80% das amêndoas do mundo e, para que isso aconteça, o pólen precisa de ser transferido de umas árvores para as outras. Todos os anos, são necessárias mais de 2 milhões de colmeias para realizar este trabalho.

As alterações climáticas, a agricultura intensiva, e a utilização de pesticidas e fungicidas na agricultura estão a devastar as abelhas do mundo. Os apicultores comerciais nos Estados Unidos da América perderam 44% das suas colónias em 2019, de acordo com a investigação da Universidade de Maryland.

Atualmente, as startups tecnológicas estão a desenvolver dispositivos inteligentes que dão aos apicultores acesso a informação detalhada sobre o estado das suas colmeias, com o objetivo de reduzir as perdas e melhorar a saúde das abelhas.

Entre eles está a ApisProtect da Irlanda, que acaba de lançar um sensor que alerta os apicultores, caso haja algum problema nas suas colmeias.

O pequeno sensor ligado à internet é colocado por baixo do telhado da colmeia e inclui uma série de métricas como temperatura, humidade, som e movimento. Os dados do sensor são enviados através da cloud para a sede da ApisProtect em Cork, Irlanda, onde os dados são processados, analisados e depois enviados de volta para o apicultor.

"Ao utilizarem o nosso dispositivo, os apicultores vão poder manter muitas, muitas mais colmeias mantendo o número de colaboradores e a quantidade de gastos em elementos como alimentação e tratamentos", afirma a fundadora e CEO da empresa, Fiona Edwards Murphy. "Serão ainda capazes de aumentar drasticamente a quantidade de polinização e de produção de mel que têm na sua operação".

Homem com fato apicultor

Desde que recebeu 1,8 milhões de dólares em financiamento, de investidores internacionais em 2018, a empresa tem trabalhado com 20 apicultores nos Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido e África do Sul para monitorizar a atividade de até 20 milhões de abelhas.

A informação recolhida das 400 unidades de sensores inteligentes está a criar uma base de dados da saúde global das abelhas, alimentando os algoritmos que analisam os seus dados.

Tecnologia de abelhas

Com a procura de abelhas, para uma indústria de polinização, em expansão, há uma série de outras empresas que promovem novas tecnologias, incluindo a Pollenity na Bulgária, Arnia no Reino Unido e BeeHero em Israel.

A Pollenity foi fundada em 2015 por Sergey Petrov e angariou 1,2 milhões de dólares em financiamento. O seu sensor inteligente Beebot destina-se a apicultores pequenos e amadores, e está também a trabalhar com seis universidades de toda a Europa num projeto de investigação financiado pela UE chamado HIVEOPOLIS.

O projeto visa melhorar o bem-estar das abelhas através da reinvenção de colmeias, utilizando uma série de tecnologias, incluindo uma abelha robot capaz de "dançar" para orientar o enxame da colmeia.

"A abelha robot dirá às outras abelhas onde encontrar néctar e pólen", diz Petrov. "Isto não só as irá direcionar para determinados campos a polinizar, mas também irá ajudar as abelhas a manterem-se longe de áreas perigosas, como aquelas em que são usados pesticidas".

Petrov diz ainda que há planos para construir tecnologia para detetar se uma abelha foi envenenada devido a ter estado em contacto com pesticidas.

Para ele, garantir o futuro das abelhas é um dos maiores desafios atuais. "Se não usarmos a tecnologia para trabalhar a nosso favor, mais vale desistirmos", afirma, "e eu não vou desistir".

Em associação com

cnn-business