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Observatório das Empresas

Tecnologia Espacial

Como a tecnologia espacial está a beneficiar a Terra

Por Ana Moreno, CNN Business

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Copenhaga, Dinamarca (CNN Business) O mês de novembro de 2020 assinalou os 20 anos de presença humana contínua na Estação Espacial Internacional (EEI). A investigação científica para melhorar a vida a bordo da EEI contribuiu para o desenvolvimento de inúmeros projetos no âmbito da tecnologia espacial, e trouxe ainda benefícios para as pessoas na Terra.

A tecnologia de iluminação LED, desenvolvida para ajudar os astronautas a evitar a privação do sono, foi adaptada para uso doméstico. Um sistema de levantamento de pesos, para manter os astronautas em forma em condições de gravidade zero, está a ser utilizado para treinos em casa.

Agora, uma empresa que concebeu um sistema de purificação de água para a EEI está a desenvolver tecnologias derivadas com potencial para fornecer água potável nos locais que mais precisam dela.

O filtro da natureza

Na EEI, cada gota de água, desde a própria humidade à urina, tem de ser filtrada e reutilizada. De acordo com a NASA, o sistema atual é muito pesado, precisa de ser substituído a cada 90 dias e não filtra certos contaminantes.

A empresa dinamarquesa Aquaporin A/S desenvolveu um novo sistema que utiliza proteínas denominadas aquaporinas. "É essencialmente o mecanismo que permite à água atravessar a membrana celular das células vivas", afirma Peter Holme Jensen, CEO da Aquaporin A/S. Na natureza, estas proteínas permitem que as raízes das plantas absorvam água do solo e que os dois rins humanos juntos filtrem cerca de 170 litros de líquido por dia. São também muito seletivas, impedindo a passagem de contaminantes.

Tendo-o testado no espaço, a NASA está a considerar substituir o seu sistema atual pelo Aquaporin, mas a tecnologia está também a tentar encontrar soluções para utilização doméstica.

Mais de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável. Por outro lado, nos países desenvolvidos, muitas pessoas não confiam na segurança da água da torneira. Mais de metade das famílias nos Estados Unidos da América estão preocupadas com a qualidade do seu abastecimento de água, e apenas 55% dos europeus bebem água diretamente da torneira.

A tecnologia da Aquaporin pode ajudar. A empresa está a trabalhar com companhias de águas residuais - incluindo a BIOFOS, a maior empresa pública de águas residuais da Dinamarca, e a UTB Envirotec na Hungria - para remover micropoluentes e microplásticos das águas residuais, impedindo-os de chegar ao mar.

Um estudo realizado na BIOFOS mostrou que as aquaporinas removem mais de 95% dos microplásticos e micropoluentes das águas residuais, utilizando muito menos energia do que os sistemas tradicionais.

"Têm um enorme potencial", afirma Dines Thornberg, diretor de inovação da BIOFOS que liderou o estudo. "Penso que o sistema Aquaporin, no futuro poderá abrir caminho para a criação de água potável e acessível a partir de águas residuais. Acredito que podemos enfrentar os desafios da escassez de água em muitas partes do mundo com tecnologias como esta".

Homem equipamento com fato astronauta.

Nos anos 60, a NASA encarregou Stanford Research Institute de encontrar soluções para tornar os computadores mais interativos e úteis. O estudo abriu caminho a uma primeira versão do rato.

Água potável em casa

Jensen também viu uma oportunidade de entrar no mercado da purificação de água doméstica - um setor que poderá valer 24 mil milhões USD até 2025, de acordo com uma estimativa.

Em novembro de 2020, a Aquaporin, lançou um sistema de filtragem doméstica, colocado debaixo do lavatório, que funciona sem eletricidade. O sistema custa 650 euros e a empresa está atualmente a visar o mercado europeu. A expansão para os Estados Unidos da América deverá acontecer em breve, e nos próximos dois anos a operação deverá expandir também para a Índia e China.

À medida que a produção aumenta, o seu objetivo a longo prazo é oferecer um produto acessível para as regiões com escassez de água. "Acredito realmente que podemos fazer a diferença", afirma Jensen.

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