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Tecnologia Inteligente

Porque é que algumas marcas alimentares querem informá-lo sobre o impacto ambiental dos seus produtos

Por Katy Scott, CNN Business

Loja com arcas frigoríficas com produtos alimentares

A marca de produtos alimentares Felix, abriu uma loja temporária (pop-up store), onde os consumidores pagavam pelos alimentos de acordo com as emissões de carbono que estes continham.

Orleans, França (CNN Business) Os rótulos dos alimentos já indicam se são ou não adequados para a sua saúde. Mas serão bons para o planeta? Isto é habitualmente menos claro. Atualmente, um número cada vez maior de marcas está a rotular os seus produtos de forma a mostrar o seu impacto ambiental.

A empresa alimentar Felix, da Suécia, é uma delas. Durante dois dias, em outubro, Felix abriu uma loja temporária (pop-up store) em Estocolmo, onde todos os artigos eram cotados com base na sua pegada de carbono. Quanto maiores as suas emissões, mais elevado era o preço.

A ideia era demonstrar como é fácil para os compradores fazer escolhas amigas do ambiente quando os produtos são claramente rotulados. A cada cliente foi dado um plafond em "equivalentes de dióxido de carbono" para comprar produtos alimentares durante uma semana.

Embora a loja temporária fosse apenas uma iniciativa de sensibilização, a Felix já enumera, no seu website, as emissões de gases com efeito de estufa associadas a todos os seus alimentos - desde o cultivo dos ingredientes até ao produto final.

Os produtos recebem um rótulo de "baixa pegada ambiental" se as suas emissões não forem superiores a metade da média dos alimentos na Suécia. O diretor de marketing da Felix, Thomas Sjöberg, afirma que é importante que os rótulos possam ser facilmente compreendidos.

"Sabemos que os números por si só não fazem sentido para os consumidores", diz Sjöberg. "Para dar significado aos números, criámos uma escala ambiental que mostra claramente a média atual, e qual a pegada ambiental que é considerada baixa".

Cartões em género de notas com a indicação do dióxido de carbono

Os clientes da loja temporária (por-up store) Felix usaram “equivalentes de dióxido de carbono” para comprar os produtos alimentares.

Uma sondagem encomendada pela Carbon Trust, que certifica as pegadas de carbono de vários produtos, revelou que dois terços dos consumidores em França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos da América apoiam a rotulagem de carbono nos produtos. De acordo com a Carbon Trust, nenhum governo fez ainda da rotulagem um requisito legal.

Contudo, os rótulos ambientais estão a começar a surgir. A marca Quorn, de produtos substitutos de carne, introduziu rótulos ambientais para 60% do seu volume de produtos no início deste ano, e a Unilever (UL) recentemente estabeleceu um plano para comunicar a pegada de carbono de cada produto que vende.

Uma fórmula complexa

Avaliar a verdadeira pegada de carbono de um alimento não é fácil e as marcas estão a associar-se a plataformas especializadas que analisam os dados utilizando ferramentas de cálculo complexas para calcular as emissões ao longo de toda a cadeia de produção.

A Oatly calcula a pegada das suas bebidas à base de aveia, desde os processos agrícolas até à mercearia, com a ajuda da CarbonCloud, uma empresa de investigação da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia.

"Desenvolvemos uma plataforma web que permite aos produtores de alimentos realizarem avaliações ambientais detalhadas sem precisarem de compreender a ciência ou a matemática que está por trás", explica David Bryngelsson, CEO da CarbonCloud.

Empresas como a Oatly introduzem informação, incluindo os seus ingredientes, utilização de energia, produção de resíduos e envio dos produtos, e a plataforma da CarbonCloud faz o resto.

Para além de utilizarem a informação para rotular os seus produtos, as empresas podem verificar como o seu impacto ambiental mudaria caso mudassem de fornecedor, ou passassem a usar energia renovável, por exemplo.

A CarbonCloud fez avaliações para centenas de produtos e marcas, incluindo Estrella, Nude e Naturli', e diz que o interesse está a aumentar rapidamente. "A indústria procura obter informação fiável e detalhada com o mínimo de trabalho possível", afirma Bryngelsson.

De momento, a indústria alimentar não tem uma abordagem padronizada para calcular os valores de carbono, mas Sjöberg diz que o mais importante é dar aos consumidores a informação que está atualmente disponível.

"No futuro, esperamos que possa existir um consenso para a forma como calculamos e rotulamos os produtos", afirma. "Mas, por agora, o ambiente não pode esperar".

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