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Observatório das Empresas

Realidade Virtual

Sem fumo, sem água, sem desperdício. A Realidade Virtual poderia formar a próxima geração de bombeiros

Nell Lewis

Homem bombeiro em frente a um espaço a arder.

A realidade virtual permite aos bombeiros recriar situações perigosas às quais anteriormente teriam de ser expostos durante as formações.

Londres (CNN Business) A Austrália tem sido devastada pelos seus piores incêndios florestais em décadas. Mais de 2,3 milhões de hectares foram queimados, e cerca de quinhentos milhões de animais podem ter sido afetados. Os cientistas dizem que as alterações climáticas aumentaram a intensidade dos mesmos, e um efeito semelhante tem sido observado na Califórnia.

À medida que estas catástrofes se tornam mais frequentes, os bombeiros começam a recorrer a novas tecnologias que ajudam a combatê-las. Alguns bombeiros na Austrália e nos Estados Unidos começaram a utilizar a realidade virtual (RV) para a formação de bombeiros.

A empresa australiana FLAIM Systems construiu um simulador de treino RV para os bombeiros. Usando um auricular, os formandos estão imersos em cenários da vida real que podem ser demasiado perigosos para serem reproduzidos no mundo real.

"O ponto principal da RV é que podemos colocar as pessoas numa situação usualmente perigosa, deixar as pessoas tomarem decisões e permitir que cometam erros", afirmou James Mullins, fundador e CEO da FLAIM Systems, à CNN Business.

A tecnologia de RV produz representação gráficas muito realistas de fumo, fogo, água e espuma extintora em vários cenários diferentes, tais como um incêndio numa casa, um incêndio num avião ou um incêndio florestal.

Bombeiro em fundo escuro

O simulador da FLAIM Systems recria toda a experiência, desde o cenário à temperatura sentida.

Os formandos usam um fato térmico que reproduz a temperatura provável em cada cenário, controlado por um software que determina a proximidade e orientação ao incêndio, e como isso afetaria o indivíduo.

"Podemos colocar um bombeiro a uma temperatura até cerca de 100 graus Celsius", diz Mullin, mas apenas por curtos períodos de tempo. Acrescenta que também podem replicar a força sentida na mangueira e simultaneamente medir o ritmo cardíaco e respiratório do formando.

A empresa foi lançada em 2017 pela Universidade Deakin em Victoria, Austrália, onde Mullins é professor associado. Em dois anos, desde essa altura, a equipa aumentou de 2 para 18 pessoas e agora distribui para fornecedores de formação em combate a incêndios em 16 países em todo o mundo - incluindo Austrália, Reino Unido, Holanda, Bélgica e Estados Unidos.

Em 2019, a FLAIM Systems foi nomeada startup do ano pela Associação Australiana da Indústria da Informação (Australian Information Industry Association), um organismo que representa a indústria tecnológica do país.

No ano passado, a Autoridade Australiana de Incêndios (Australia's Country Fire Authority - CFA) iniciou o uso deste sistema de formação, e embora este ainda não tenha sido aprovado para uma utilização mais ampla, Greg Paterson, vice-diretor da CFA, disse à CNN Business que poderia ser valioso em áreas remotas do país.

Poderia ser particularmente útil num contexto de incêndio florestal, acrescentou. "A capacidade de proporcionar exposição a condições perigosas de incêndios florestais permite aos voluntários mergulharem em cenários realistas a que normalmente não estariam expostos durante a formação", afirma Paterson.

Testes na Califórnia

Em outubro de 2019, o Corpo de Bombeiros da Cosumnes, na Califórnia, juntou-se à RiVR e Pico Interactive, especialista em desenvolvimento de RV, para criar o seu próprio sistema de formação para 20 novos recrutas. O teste foi bem-sucedido e o departamento continuará a utilizar a RV no seu programa de formação.

Bombeiros em formação com recurso a realidade virtual

A realidade virtual permite aos bombeiros recriar situações perigosas às quais anteriormente teriam de ser expostos durante as formações.

"Permite-lhes experimentar em primeira mão os desafios únicos da comunicação, visibilidade limitada e a enfrentar as chamas em situações de incêndio que certamente irão encontrar durante a sua carreira de bombeiros", disse a capitã de bombeiros Julie Rider.

Sendo ela própria uma bombeira experiente, Rider disse que estava impressionada com o quão realista era o cenário da RV.

"Pude sentir o meu ritmo cardíaco a subir enquanto olhava à volta da sala, vendo onde o fogo começou, assistindo ao ritmo acelerado do fogo a espalhar-se", afirmou. "Foi espantoso experimentar o risco inerente, o perigo extremo e a intensidade do fogo sem sentir nenhum dos efeitos perigosos do fogo".

Impacto Ambiental

A utilização da tecnologia de RV também reduz o impacto ambiental da formação de bombeiros. O treino tradicional liberta fumo e poluentes para a atmosfera devido às substâncias queimadas, afetando a qualidade do ar circundante.

Também requer muita água, o que pode ser problemático num país como a Austrália, onde muitas áreas sofrem de graves condições de seca.

Cernário virtual de incêndio no sistema FLAIM

Um cenário de incêndio em realidade virtual, criado pela FLAIM Systems.

Os produtos químicos da espuma tipicamente utilizada pelos bombeiros podem ter efeitos secundários para a saúde, com o escoamento a contaminar o solo e a água circundantes. Isto levou alguns estados na Austrália a proibir a utilização desta espuma, exceto em circunstâncias essenciais.

“A nossa tecnologia permite que as pessoas treinem sem derramar espuma no ambiente, sem criar fumo, nem utilizar água", afirmou Mullins.

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