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Observatório das Empresas

Inteligência Artificial

Sistema de câmara do carro pode ajudar os condutores a manterem-se acordados ao volante

Nell Lewis

Mulher a usar telemóvel ao conduzir, identificada pelo sistema de câmara.

Usar o telefone enquanto conduz aumenta o risco de acidentes. Esta nova tecnologia avisa os condutores quando estes estão distraídos.

Londres (CNN Business) Quando se está a conduzir um carro, perder o foco pode ser mortal.

A distração — seja com um smartphone, cigarro, uma música ou comida — é responsável por até 30% dos acidentes rodoviários, enquanto o cansaço está implícito em até 20%, de acordo com a Comissão Europeia.

Por esta razão, a partir de 2022, as novas tecnologias de segurança tornar-se-ão obrigatórias em novos veículos europeus, incluindo "um aviso de sonolência e distração do condutor."

A Bosch, empresa alemã de engenharia e tecnologia, posiciona-se como um dos principais fornecedores desta tecnologia, tendo anunciado em dezembro que desenvolveu um sistema de monitorização interior que deteta condutores sonolentos e distraídos.

A tecnologia, que será incorporada em carros novos a partir de 2022, usa câmaras e inteligência artificial (IA) para detetar quando as pálpebras de um motorista estão a ficar pesadas, ou quando os condutores estão distraídos a olhar para um telefone ou a desviar a sua atenção para outro passageiro.

O algoritmo - treinado com o uso de gravações de situações reais de condução - realiza um julgamento sobre o cansaço do condutor, dependendo da posição das pálpebras e do ritmo do piscar dos olhos.

"Baseado em toda esta informação, consegue reconhecer se está a ficar cansado porque a frequência de abertura e fecho das pálpebras fica muito mais lenta", afirma Annett Fischer, porta-voz do sistema de monitorização interior da Bosch, à CNN Business.

O sistema pode então alertar os condutores, recomendando uma pausa se estiverem cansados, ou mesmo reagir reduzindo a velocidade do veículo.

A forma do alerta - seja sonoro, luminoso, redução de velocidade ou até mesmo um volante vibratório - dependerá da vontade do fabricante, pois irá adaptar o sistema de acordo com a sua marca e os seus consumidores, explica Fischer.

Familia a viagar de carro usando o sistema de câmara para detetar distrações

O sistema também monitoriza os passageiros com uma câmara frontal e traseira, garantindo que os cintos de segurança estão ajustados e os airbags devidamente posicionados.

Salvar Vidas

Mais de um milhão de pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido a acidentes rodoviários, de acordo com o relatório da Organização Mundial de Saúde de 2018 relativo ao estado globala da segurança rodoviária. Calcula-se que a utilização de um telefone enquanto se conduz - seja manual ou mãos-livres - aumenta o risco de acidente em quatro vezes, enquanto as mensagens de texto aumentam o risco em cerca de 23 vezes.

A fadiga é um problema que atinge principalmente aqueles que conduzem profissionalmente, afirma Joshua Harris, diretor de campanhas na Brake, instituição de caridade britânica de segurança rodoviária, à CNN Business.

"Estes condutores estão muitas vezes ao volante durante longos períodos de tempo e muitos a conduzir veículos pesados, o que pode causar uma enorme destruição em caso de acidente.

"A tecnologia desempenha um papel muito significativo para alcançar um mundo sem mortes ou ferimentos graves na estrada e saudamos os novos avanços que aumentam a segurança, como os sistemas de deteção de sonolência," afirma.

A Bosch não é o primeiro fabricante a criar neste campo. A empresa australiana Seeing Machines estreou a sua tecnologia de monitorização de condutores no Cadillac CT6 de 2018, e a empresa sueca Smart Eye Automotive Solutions desenvolveu um sistema para a Geely, um dos maiores fabricantes automóveis da China.

Dudley Curtis, gerente de comunicações do Conselho Europeu para a Segurança nos Transportes, concorda que a longo prazo estes sistemas irão ajudar a evitar colisões. "Mas irá demorar muito tempo até que todos os veículos tenham a tecnologia," avisa. "Entretanto, precisamos de abordar o problema também a partir de outros ângulos.” Por exemplo, embora existam restrições do tempo de condução na Europa - um máximo de nove horas por dia - ele recomenda uma aplicação e regulamentação mais rigorosas destes limites.

O perigo é o condutor poder "confiar demasiado" nestes sistemas. "Os condutores ainda precisam de assumir a responsabilidade por estarem totalmente alertas e concentrados na condução, mesmo com esses sistemas instalados nos seus veículos", afirma Curtis.

Problemas de privacidade

Outra preocupação é a privacidade, uma vez que os sistemas de monitorização de condutores baseados em câmaras recolhem grandes quantidades de dados pessoais relativos ao condutor e aos passageiros.

De acordo com a Bosch, os dados recolhidos pelo seu sistema seriam apenas avaliados pelo software do próprio automóvel e não seriam guardados nem transferidos para a Bosch ou para terceiros.

Fischer acrescenta que se o fabricante automóvel quisesse armazenar qualquer tipo de dados do condutor, teria primeiro que receber o seu consentimento.

Curtis acredita que a transparência é essencial para a confiança do consumidor e incentiva os fabricantes automóveis a explicarem claramente como a tecnologia funciona, como os dados são usados e durante quanto tempo são armazenados.

"Se a tecnologia pode salvar a sua vida e a dos outros, deve ser bem-vinda", acrescenta.

Em associação com

cnn-business