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Observatório das Empresas

Tecnologia alimentar

O que está a impulsionar o crescimento da tecnologia alimentar?

Nell Lewis

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Bife de laboratório da Aleph Farms.

Londres (CNN Business) Enquanto muitos procuram Israel pelo falafel e pela shakshuka, este país é menos conhecido pela sua tecnologia alimentar.

No entanto, Israel - que abriga mais de 350 empresas de tecnologia agrícola e alimentar – supera as expectativas económicas nesta área. Em 2018, o investimento anual no setor de tecnologia alimentar de Israel subiu para 100 milhões $US, de acordo com um relatório recente da Start-Up Nation Central.

Torna-se assim um ator económico forte, num mercado em expansão: A BIS Research prevê que o mercado global de tecnologia alimentar venha a valer mais de 250 mil milhões $US até 2022.

"Muita coisa está a acontecer num lugar tão pequeno," afirma Tamar Weiss, gerente de desenvolvimento do setor de tecnologia agroalimentar da Start-Up Nation Central.

Weiss acredita que isso se deve ao facto de Israel ter a ambição de enfrentar os desafios ambientais e éticos que o setor da agricultura apresenta. "As pessoas têm consciência disso a nível pessoal, o que impulsionou o setor," acrescenta.

Alimentos sustentáveis

Em 2017, Didier Toubia criou a Aleph Farms, uma empresa alimentar israelita, onde os  engenheiros produzem carne cultivada - criada em laboratório a partir de células de vaca.

"O objetivo era trazer o equilíbrio de volta à natureza e usar os recursos naturais da Terra de forma mais inteligente," afirmou à CNN Business.

A empresa angariou 14 milhões $US até ao momento e foi manchete em todo o mundo, no ano passado, por desenvolver o primeiro bife de carne de vaca sem abate. Em outubro, conseguiu criar carne no espaço pela primeira vez.

 

Foguete a descolar

Um foguete descola com células de vacas a bordo, que foram cultivadas com sucesso em tecido muscular de pequena escala na Estação Espacial Internacional

Esta experiência provou que a carne cultivada pode ser uma forma de produzir proteínas de elevada qualidade usando menos recursos, afirma Toubia.

O Barclays prevê que o setor alternativo de carne possa atingir cerca de 140 mil milhões $US em vendas na próxima década, com empresas como a Impossible Burger e Beyond Meat a liderarem o processo.

Embora ainda não esteja comercialmente disponível, o mercado de carne cultivada está em expansão, com o número de startups em campo a aumentar de quatro (final de 2016) para mais de duas dúzias (no ano passado), de acordo com o The Good Food Institute.

A prosperidade deste setor em Israel deve-se em parte à Autoridade de Inovação do seu governo, que concede doações a empresas e que financiou  uma incubadora de tecnologia alimentar com 28 milhões de $US.

Mas também se trata da cultura. "Em Israel, há uma grande preocupação com o bem-estar animal. “Acho que está enraizada na tradição judaica", afirma Toubia.

Weiss acrescenta que a cultura kosher "contribui para um maior conhecimento sobre os alimentos como por exemplo: produção sustentável, elaboração adequada ou vinculo de valores à comida."

 

Bem-estar animal

Yehuda Elram, CEO da eggXYt, startup de Jerusalém, concorda que a religião judaica valoriza a compaixão pelos animais. "São consumidores conscientes que exigem que as empresas cumpram certas regras, entre elas o fim da crueldade animal,” afirma.

A eggXYt desenvolveu uma tecnologia que permite detetar o sexo dos pintos, antes da eclosão, para impedir a prática de abate de pintos macho na avicultura, na qual são necessários pintos fêmea para a produção de ovos.

A cada ano, cerca de sete mil milhões de pintos macho são mortos após a eclosão, segundo cálculos da indústria.

Separar os machos das fêmeas antes da oclusão poderia evitar isso, além de ajudar financeiramente: as fábricas não desperdiçariam mais espaço e energia na incubação de ovos masculinos, e os ovos poderiam ser reaproveitados para a indústria alimentar ou de cosméticos.

A eggXYt é uma das várias startups que trabalham nesta questão, mas é única no seu método não invasivo de pré-incubação. Usando a CRISPR, uma ferramenta de edição de genes, inserem um biomarcador detetável no DNA da galinha poedeira, que marca o sexo dos ovos sem efeitos colaterais. Os ovos postos são então enviados através de um scanner que identifica os ovos machos devido ao seu brilho fluorescente.

 

Homem a fazer testes num ovo

O professor Dani Offen, co-fundador da eggXYt, usa a tecnologia de edição de genes para identificar o sexo de um ovo antes de eclodir. Os ovos masculinos emitem um crescimento fluorescente claro.

"A sua taxa de precisão é muito elevada e não afeta a taxa de oclusão dos ovos fêmea. E deixa a indústria com sete mil milhões de ovos masculinos não incubados como produto, em vez de desperdício," afirma Elram.

Embora a eggXYt não divulgue o seu valor, a empresa recebeu 4 milhões $US em doações da Autoridade de Inovação de Israel, EU Horizon 2020 e outros prémios, afirma Elram. A sua tecnologia está atualmente em aprovação regulamentar.

Saúde pessoal

Outra tendência importante que domina a arena da tecnologia alimentar de Israel é a saúde, com empresas como a Amai Proteins e a DouxMatok a desenvolverem alternativas ao açúcar.

Ou a MyFavorEats, uma startup baseada em Tel Aviv, que desenvolveu um algoritmo que personaliza receitas online, sugerindo alternativas quando os ingredientes não estão disponíveis ou adaptando-as aos requisitos alimentares do utilizador.

"Por exemplo, um diabético, que precisa manter uma certa quantidade de carboidratos por refeição, ou um desportista profissional, que conta as proteínas," afirma Orly Rapaport, CEO da empresa.

O algoritmo, testado em 1 milhão de receitas, aprendeu a reconhecer o papel de cada ingrediente e os seus parâmetros de sabor e textura. Embora ainda não esteja no mercado, a tecnologia estará disponível através de aplicações de bem-estar e saúde ou em editores de receitas.

Isso não responde apenas à tendência crescente do veganismo e vegetarianismo, mas também à prevalência crescente de alergias alimentares. A World Allergy Organization (Organização Mundial de Alergias) calcula que entre 240 a 550 milhões de pessoas sofrem de alergias alimentares em todo o mundo.

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