Skip to content

Observatório das Empresas

Smart Cities

Como é que as cidades estão a usar a tecnologia para resolverem os seus problemas de resíduos

Nell Lewis

Edifício com uma pista de esqui e uma trilha para caminhadas

O plano de energia “waste-to-energy” recentemente inaugurado na Copenhaga, também funciona como uma pista de esqui e uma trilha para caminhadas.

Londres (CNN Business)  O mundo tem um enorme problema de resíduos. Dois mil milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos são gerados por ano, globalmente, de acordo com o Banco Mundial — equivalente ao peso da Grande Pirâmide de Gizé, em lixo, todos os dias.

À medida que as populações urbanas continuam a crescer, algumas cidades estão com dificuldades em lidar com a situação. Muitas estão a recorrer a novas tecnologias para obterem soluções económicas para tratarem do lixo.

O mercado global da gestão de resíduos está em expansão, esperando-se que alcance 530 mil milhões $US em 2025, de acordo com um relatório da Allied Market Research.

As cidades que lidam com os problemas de resíduos de uma forma mais imediata têm mais hipóteses de evitar consequências graves a longo prazo, afirma Ricardo Cepeda-Márquez, diretor de resíduos sólidos da C40 Cities, uma rede global de cidades empenhadas no combate às alterações climáticas.

Os resíduos não recolhidos podem causar entupimentos, inundações e a propagação de doenças transmitidas pela água. A matéria orgânica despejada em aterros sanitários - onde lhe falta ar para se decompor rapidamente - gera gás metano, acelerando as alterações climáticas.

Resíduos a serem separados numa planta de triagem

Resíduos a serem separados num planta de triagem ótica em Oslo, Noruega.

Gerar energia a partir de resíduos

A cidade de Copenhaga, na Dinamarca, abriu recentemente uma inovadora central de produção energética a partir de resíduos, conhecida como Copenhill ou Amager Bakke, que tem no topo uma pista artificial de ski.

A central, que queima resíduos em vez de combustíveis fósseis, é capaz de converter, anualmente, 450 000 toneladas de lixo em energia, fornecendo eletricidade a 30 000 famílias e aquecimento a 72 000.

Embora ainda produza emissões de CO2 provenientes da combustão, a cidade tem planos para instalar um sistema que capture o carbono libertado, através do processo de incineração, e depois poderá armazená-lo ou encontrar um uso comercial para o mesmo. Este aproveitamento de recurso não utilizado, também poderá ajudar a cidade a diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

"Em vez de colocar resíduos num grande aterro, usamos os mesmos na produção de energia para aquecimento e eletricidade da maneira mais eficiente que temos atualmente disponível", afirmou o presidente da Câmara de Copenhaga, Frank Jensen, à CNN Business por email.

"A incineração eficiente de resíduos fornece aquecimento urbano a 99% dos edifícios em Copenhaga. Desta forma, conseguimos eliminar a poluição por carvão, óleo e petróleo", acrescenta, ajudando a capital a atingir o seu objetivo de se tornar a primeira cidade do mundo neutra em carbono até 2025.

Vista de uma cidade

A planta, localizada a algumas milhas do centro da cidade, será um marco da cidade e também uma fonte de abastecimento de energia.

Cidades como Adis Abeba na Etiópia, Shenzhen na China, e Hanói no Vietname estão a experimentar centrais semelhantes para a produção energética a partir de resíduos.

Mas Cepeda-Márquez alerta que esta tecnologia tem limites. Uma cidade precisa de uma infraestrutura sólida e de um forte sistema de recolha de resíduos já instalado, antes de poder colher os benefícios de uma dessas centrais.

"Muitas cidades do Sul, com sistemas de gestão de resíduos mal administrados, esperam que todos os seus problemas desapareçam com o incinerador ideal ou com uma central de produção energética a partir de resíduos" afirma. "Mas se possui um sistema que não funciona, não há tecnologia que o conserte."

Sistemas mais inteligentes

Outras cidades estão a começar ao nível da rua, usando a inteligência artificial e a automação para separar materiais recicláveis, ou sensores para reduzir a quantidade de desperdício.

Por exemplo, Singapura e Seul, na Coreia do Sul, instalaram nas suas ruas caixotes de lixo inteligentes alimentados a energia solar. Cada um está equipado com um compactador, que permite conter mais lixo. Quando o caixote está cheio, os seus sensores alertam os serviços de recolha.

Em 2050, 68% da população mundial irá viver em áreas urbanas, de acordo com a ONU, colocando maior pressão nas infraestruturas urbanas existentes.

Normalmente, as cidades enviam camiões diferentes para recolher tipos de resíduos distintos- um camião para recolher plástico para reciclagem, outro para recolher resíduos alimentares, por exemplo. Mas isso exige muitos camiões, o que significa custos adicionais e mais tráfego.

"Em muitas cidades da Europa, as ruas são muito estreitas e não há espaço aberto suficiente para vários camiões de recolha de lixo fazerem as respetivas rondas", afirma Cepeda-Márquez.

Sacos de lixo numa linha de triagem

A capital da Noruega, Oslo, criou um modelo inteligente para evitar isso. Desde 2012, os moradores da cidade são obrigados a usar sacos de diferentes cores para diferentes tipos de lixo e, em vez de os recolherem separadamente, os camiões recolhem todas os sacos de uma só vez e levam-nos para uma unidade de triagem ótica.

Os sacos verdes que contêm resíduos de alimentos e os sacos azuis com resíduos de plástico são separados de outros resíduos pela tecnologia sofisticada de leitura ótica, que deteta a cor dos sacos com precisão de aproximadamente 98%.

Os responsáveis da cidade afirmam que o aumento da separação de resíduos e as campanhas de consciencialização pública tiveram um efeito positivo, reduzindo a quantidade de resíduos de cada família e aumentando a quantidade que é reutilizada e reciclada. Em 2018, 37% do lixo doméstico foi reciclado, comparativamente a 10% em 2004.

 

Em associação com

cnn-business