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Quando tudo falha, a rede humana do INER responde
O Instant Network Emergency Response (INER) da Fundação Vodafone, ativado pela primeira vez em Portugal com a depressão Kristin, mobilizou voluntários, energia portátil e satélite para restabelecer comunicações nas primeiras horas da crise.
Enquanto o céu nublado de fevereiro atenua a luz que chega aos painéis solares portáteis, pessoas de telemóveis na mão vão medindo a eletricidade injetada nas estações de energia portátil. É essencial ter estes equipamentos prontos para a simulação seguinte - pôr a funcionar um sistema de comunicações alternativo, baseado em ligações satélite e pensado para responder em situações de catástrofe e de emergência.
Para estas pessoas, voluntários do INER da Fundação Vodafone, o exercício realizado no exterior da sede da Vodafone em Lisboa é apenas uma amostra do que viveram semanas antes, quando foram mobilizados para restabelecer comunicações nas zonas afetadas pela depressão Kristin, sobretudo no Centro do País.
No terreno, formação e coordenação garantem agilidade para instalar comunicações de emergência quando mais importa
Foi a primeira vez que esta equipa, constituída em novembro do ano passado por 15 voluntários colaboradores da Vodafone Portugal, enfrentou o teste de uma situação real no terreno, percorrendo quilómetros por entre uma paisagem devastada. Em complemento à recuperação das comunicações nas zonas afetadas pelas equipas técnicas e de parceiros da Vodafone, articulou-se com a Proteção Civil para levar conectividade a cerca de uma dezena de locais críticos, como quartéis de bombeiros, zonas de comando e outras áreas de concentração e apoio à população.
"Não haver comunicação vai gerar pânico às pessoas, preocupações, viagens desnecessárias num contexto que, por si só, já é caótico. Acabamos por conseguir levar a ajuda às pessoas de forma direta. E ver logo o impacto que isso tem," resume Tiago Almeida, um dos voluntários do INER.
De Oleiros a Cernache do Bonjardim – duas das várias zonas socorridas -, o procedimento foi semelhante. Chegados ao local em que era preciso restabelecer comunicações, os voluntários colocaram a estação de carga - com uma autonomia energética de 100 horas – o mais próximo possível dos locais que precisavam de conectividade. Identificada a zona com melhor cobertura de satélite, instalaram a antena que permite aceder à internet.
Feita a ligação, foi possível distribuir o acesso a comunicações de forma física ou por Wi-Fi (e no futuro por 4G), seja no perímetro das instalações, seja na rede interna das entidades. Na ausência de fornecimento de eletricidade, os painéis solares ajudaram a repor a autonomia energética das estações de carga.
A equipa de voluntários do INER nos Bombeiros de Oleiros, depois de instalar um kit de comunicações de contingência
Prontos para o terreno
Em Lisboa, naquele dia de fevereiro, as equipas de voluntários voltaram a reunir-se para uma formação intensiva de três dias com a equipa internacional do INER, em que revisitaram fundamentos de emergência, proteção, destacamento e voluntariado, uso prático de tecnologias, planeamento de intervenções e avaliação de crises.
Antes disso, no final do ano passado, quatro voluntários já tinham participado numa “mini-formação de sobrevivência” no Reino Unido, focada na preparação dos voluntários para missões de emergência em cenários hostis e apoio em contextos de catástrofe. Ao longo de cinco dias intensos, os participantes no Hostile Environment Awareness Training (HEAT) enfrentaram frio, chuva e exercícios que testaram a resistência, a tomada de decisões e o trabalho em equipa.
"Esperamos que [esta formação] dê aos voluntários a consciência e experiência necessárias para ficarem seguros num ambiente em que nada funciona", explica Walter Saunders, um dos gestores das equipas INER do Grupo Vodafone que, com o diretor de Respostas de Emergência da Fundação, Justin Waller, estiveram a ministrar a formação intensiva em Lisboa.
Desde a sua criação em 2012, o INER já esteve presente em mais de 28 missões em todo o mundo, incluindo os terramotos na Turquia, em 2023, e o tufão Bopha, nas Filipinas, em 2012, ajudando comunidades e organizações humanitárias a restabelecer comunicações nos primeiros dias após a crise. Já formou mais de 120 voluntários, 73 dos quais se encontram ativos em 14 países.
Se o âmbito é global, a ação local é indispensável. A criação de hubs, como o de Portugal, permite uma resposta mais rápida a emergências no território nacional. Com uma equipa treinada e equipamentos pré-posicionados, é possível intervir nas primeiras 72 horas após um desastre, para garantir que quem mais precisa não fica desligado do mundo.
Responder quando é mais preciso
Enquanto supervisiona as formações e as ações práticas, Walter Saunders mede o pulso à sala em Lisboa: “É ótimo ver o quão empenhados os voluntários estão. Eles estão a dar do seu tempo para fazer isto. Estão realmente interessados, querem aprender. Gostava de acreditar que todas as intervenções que levamos a cabo fazem a diferença para as pessoas”.
A equipa de voluntários do INER nos Bombeiros de Oleiros, depois de instalar um kit de comunicações de contingência
São voluntários que se entregam, prontos a partir para qualquer local – dentro ou fora do País - e disponibilizar soluções de conectividade rápida, segura e gratuita a populações afetadas por emergências humanitárias, mobilizando recursos humanos do Grupo Vodafone.
Mas a maior abnegação deste compromisso está em esperar que o seu trabalho e todo o investimento que fazem na formação, embora útil nos piores cenários, nunca venha a ser preciso. E em saber que, se ainda assim vier mesmo a ser necessário, eles estarão prontos a partir para o terreno no momento seguinte.
“Sair de um quartel com os agradecimentos da equipa e dos responsáveis, com a sensação da missão cumprida, é muito bom. Fico muito orgulhosa da empresa, da nossa participação e do efeito que tivemos. Não melhorámos tudo, mas pelo menos aqueles locais ficaram um bocadinho melhores,” conclui Rita Figueira, voluntária do INER.
O INER é como se fosse o ‘INEM’ das telecomunicações. O objetivo é levar comunicações a sítios que foram afetados por catástrofes ou emergências”
- Rita Figueira, voluntária INER
Sabia que...
Desde a sua criação, o INER já esteve presente em mais de 28 missões em todo o mundo, incluindo os terramotos na Turquia, em 2023, e o tufão Bopha, nas Filipinas, em 2012.
Quatro dos 15 voluntários do INER em Portugal participaram numa formação intensiva ao longo de cinco dias no Reino Unido, enfrentando exercícios em condições hostis que testaram a resistência e o trabalho em equipa.
A depressão Kristin ativou pela primeira vez a equipa INER em Portugal, percorrendo quilómetros numa paisagem devastada e levando comunicações até onde eram necessárias, em articulação com a Proteção Civil.
Onde estão as equipas INER, é possível aceder a comunicações de forma física ou por Wi-Fi, no perímetro ou no interior das instalações. Os painéis solares ajudam a repor a autonomia energética das estações de carga onde não há eletricidade.